Que leitura, minha gente! Que leitura! Foi em um só fôlego… Quando acabou, confesso, eu queria mais. Apesar de estar bem escrito e suficiente em si para despertar os porquês em mim, eu queria mais. Se recomendo a leitura? Tudo vai depender do quanto a sua mente é “aberta” a questionamentos precisos e incisivos – e, porque não, inquietantes. Então, se você quer aprender sobre o assunto e ampliar o seu olhar do que seja Deus, crença e religião, a recomendação é certa, e um grande encontro com o saber será garantido. No entanto, se você quer algo que reforce um ponto de vista engendrado e nocivo, sugiro uma leitura que não essa.

O sociólogo e filósofo francês, Frédéric Lenoir, faz uma abordagem da imagem – ou da percepção – de “Deus” ao longo das diferentes tradições “na história da epopeia humana” de forma brilhante. O posicionamento do autor em grande parte do texto é neutro, o que confere uma leitura sadia; sem dizer do profundo embasamento literário dos textos, que enriquecem cada linha. Há, todavia, um detalhe muito interessante que, propositalmente e de forma astuciosa, foi colocado como Epílogo do livro – presente lá no final. Mas, precisará lê-lo, não darei esse spoiler por aqui… 

Se você buscar pelo livro na internet, certamente encontrará uma sinopse interessante, por isso, para facilitar a sua vida, copiei a que está no site da Livraria Saraiva:

Filósofo, sociólogo, historiador das religiões e diretor do Monde des réligions, Frédéric Lenoir passou 30 anos investigando a figura de Deus ao longo da trajetória humana. Sua intenção era desenvolver uma abordagem sem resvalar para julgamentos sobre a fé, e, sim, estudar o fato religioso em suas diversas dimensões, notadamente as representações que os homens elaboram de uma força superior com frequência chamada “Deus”. O resultado dessa longa pesquisa, condensada no livro Deus, é uma análise objetiva e acessível que expõe o ponto de vista tanto dos ateus quanto dos cristãos. Na obra, o autor apresenta uma série de perguntas e propõe algumas respostas. São questões metafísicas, históricas e sociológicas em que Lenoir questiona, por exemplo, se Deus existe, de fato, por que não se pode vê-lo. E indaga se Deus seria uma força, uma pessoa, uma energia ou um princípio criador. Lenoir investiga também quando os deuses apareceram na história da humanidade, se foram os judeus os inventores de um ser divino único e se as três maiores religiões monoteístas – judaica, cristã e muçulmana – compartilham o mesmo Deus. Em meio à investigação histórica, levanta conceitos pouco familiares ao Ocidente, entre eles o que chama de absoluto impessoal das sabedorias orientais, e debate como se construiu o ateísmo moderno surgido na Europa do século XVIII.

#VocêJáParouParaPensar?

Andreone Medrado
Devaneios Filosóficos