Para um olhar desatento, um zíper. Para um filósofo, um exemplo de vida em forma de reflexão. 

Era 2013, eu havia acabado de adquirir uma câmera digital nova, uma Canon T3i. Comecei a fotografar muitas coisas que estavam à minha volta. Depois de um tempo, quando fui olhar as fotos no computador, estava essa da capa: uma mochila preta com os zíperes à mostra. No momento aquilo deixou de ser uma mochila, e me rendeu reflexões das quais não escrevi nada. Em 2016 publiquei um texto na minha página no Facebook e hoje cá estou rescrevendo sobre o mesmo assunto aqui no Blog. Mas, pensemos: o que nesta imagem de capa pode transcender a materialidade e virar lição de vida?

Escolha o exemplo a partir de sua experiência de vida e reflita. Aqui eu escolho a título de ilustração a construção de um ser humano sábio:
Quando alguém decide olhar para dentro de si, percebe-se que existe um duelo entre esforçar-se para adquirir a sabedoria e manter-se na zona de conforto, alienando-se àqueles pensamentos fabricados, que nos dizem o que e como devemos ser e andar. De fato, escolher alcançar a sabedoria nem sempre é fácil, pois exige andar na contra mão na maioria das vezes, sair do senso comum, questionar-se e buscar com humildade a resposta que faça mais sentido. Ao passo que, para usufruir de pensamentos fabricados basta apertar o off no cérebro pensante de deixar o resto a cargo da cultura de massas.

Nesse contexto, o zíper funciona como as duas possibilidades citadas. No entanto, uma coisa é inexorável: para que a mente seja aberta ao novo é preciso ir contra o comodismo do mundo líquido, que Bauman tanto explora em sua obra. Ainda, enquanto se insistir em unir as duas coisas – tentar buscar pela sabedoria sem, entanto, abrir mão de coisas que não acrescentam na formação de um ser humano – o zíper estará sempre fechado; mesmo que o movimente para a esquerda ou para a direita ele não se abrirá. É preciso separar as coisas. Sabe aquela expressão popular que diz “alguém tem que ceder“?, ela está perdendo o seu sentido com o tempo… mas reflita: a sua mente está se abrindo ou fechando para o novo? (Uma frase atribuída à Albert Einstein afirma que “uma mente que se expande nuca mais retorna ao seu tamanho original”.)

Por que é difícil e contraditório querer abrir o bagagem sem afastar os zíperes?

Não precisamos de exemplos colossais nem de “coisas de outro mundo” para entender o quanto contraditório é querer ser um ser humano diferente e – ao mesmo tempo – não empregar o mínimo esforço em realizar essa tarefa. Em outras palavras: porque é contraditório dizer uma coisa e fazer outra?

Não é difícil encontrarmos cenas no cotidiano nas quais pessoas dizem coisas maravilhosas em uma mesa de reunião, tratam bem aos chefes, mas, na primeira oportunidade, desferem ofensas àqueles que creem serem seus subordinados. Ou, ainda, não é nada incomum (mas nada incomum mesmo) pessoas dizerem com todos os ventos de seus pulmõeseu sou vivo uma vida de entrega a Jesus (por exemplo)”, mas que, sem esforço algum, age com preconceito na primeira esquina, olha com desdém para aqueles que não tem a mesma orientação religiosa e, quando não muito, são capazes de desejarem até a morte de que bater em seu carro. Percebe onde mora a contradição? Enquanto um zíper pressionar o outro a mente estará fechada. Há que se afastar as atitudes malévolas para que ocorra alguma mudança! Mas – Atenção! – não se engane! Apenas abrir a mente não lhe garantirá uma transformação enquanto ser humano realmente Sapiens. Será preciso aprender a pensar e a ser inteligente (essa palavra vem do Latim: Intelligens, “aquele que entende”, de Intelligere, “entender, compreender”, formado por Inter, “entre”, + Legere, “colher, escolher, ler”, confira aqui)

Abrir o zíperno contexto filosófico, pode ser metaforicamente tão aliviador quanto em qualquer outra situação do nosso dia a dia (veja lá no que vai pensar!). O Zíper, em si, é feito para sustentar, proteger ou simplesmente para adornos de algo mais importante. Quando foi criado, a intenção era de proporcionar o “controle” daquilo que ele protegia. Mais uma vez, filosoficamente não seria tão diferente – com a peculiaridade de que – nesse contexto – sua abertura seria para liberar o nosso pensamento e/ou introduzir mais pensamentos novos à nossa bagagem intelectual e formativa.

Portanto,
Vamos filosofar, abra o seu ” zíper mental” – Pense!

Andreone T. Medrado
@DevaneiosFilsoficos

#VocêJáParouParaPensar?