Existe na calmaria da noite, no silêncio do outono, um vento. Ele, tão sereno e misterioso, sopra sobre os campos outrora verdes e move as folhas vindas do verão. Uma após a outra se vai, são levadas para longe de nossos olhos. É um preparo para o inverno dos seres passageiros. Recolhemos nosso pensamento à meditação – a casa dos sábios, o abrigo dos atribulados, o banquete dos famintos. Mas logo vem a primavera. Aquele que realmente viveu o silêncio, sentiu o vento e apreciou o calor e o frio, e somente quem isso fez, sentirá então o florescer de ideias. Como são lindas essas ideias. Nem acredito que existia dentro desta sequidão um potencial que de sem cores passou a preencher os bosques da vida. Sim, são elas, as flores, as ideias, as mudanças. Cabe dizer que isso não é tudo… os trezentos e sessenta graus hão de se formar, e tudo há de se repetir. Vento após vento, primavera após primavera, tudo será transformado pouco a pouco, ser a ser.

Andreone T. Medrado,26 de Maio de 2017
Devaneios Filosóficos

 

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