Ser parceir@ não é ser cúmplice – e vice-versa!

Não há na cumplicidade espaços para uma atuação transparente consigo. Toda vez que decidimos ser cúmplices de uma ideia, de uma crença ou de uma pessoa, estamos automaticamente nos sujeitando a tudo que possa acontecer sem jamais nos posicionar com liberdade ou autenticidade. Ser cúmplice é ser partícipe incondicional seja lá do que a outra parte pretenda ou apresente. Mas isso é no mínimo inescrupuloso, para não dizer que é debilmente alienante.

Por isso, escolhi não ser cúmplice de nada nem de ninguém. Quero, em vez disso, ser “eu para você”; se nossos princípios divergem, conversemos; se nossas crenças não se combinam; que exista o respeito para as percebermos assim; se o que eu “sou por natureza” não te agrada por seu egoísmo, seja você livre para não estar comigo (só se prende aquilo que não se ama – quem ama deixa a outra parte escolher se fica ou se vai); se o meu estilo te desaponta: não se preocupe – não faltam modelos que possivelmente se encaixem na sua forma de bolo. Mas não custa tentar me entender.

Se existiu algum propósito no meu nascimento, certamente que nunca foi o de ser cúmplice, de seguir quieto os ditames abstratos e de fazer de mim aquilo que ‘alguém‘ sempre quis. E, caso tenha sido esse o plano, eu quero rasgá-lo aqui mesmo, na frente de quem quer que seja. Não acredito em ordem divinas – em nenhuma delas; não espero providência do além; não pretendo ser aceito por quem sequer aceita a si mesmo e se esconde atrás do senso pudico distribuído em páginas de mordaça, mas que na verdade é uma espessa capa de verniz que cobre o cesto de laranjas estragadas.

Se posso ser algo para você, não aceite que eu seja menos que “eu mesmo“; não aceite de mim uma pessoa que se molda para te agradar – pois é justamente isso o que mais repudio em um Homo sapiens (além de que ser assim é ser medíocre).

Odeie-me, mas faça isso conscientemente e com critérios inteligentes; ame-me, mas que seja somente pelo que sou – sem recompensas ou punições; esteja comigo, mas não pense em me levar de volta ao seu ninho de conceitos – se lá eu já estive e de lá saí, foi porque aprendi a voar ou escalar para onde me parece melhor. E repito o que digo mundo afora: amar é deixar ir! Quem ficar do seu e do meu lado que seja por livre e espontânea vontade.

E que fique claro um ponto: raríssimas coisas além da cumplicidade são mais potentes para nos separar. Não seja cúmplice, seja crític@!. Em uma relação adulta, honesta e transparente não há espaços para uma cumplicidade, tão pouco às cegas. Esse é mais um conceito inventado para nos obrigar a nunca denunciar o mau que o outro ser (‘divino’ ou humano) fez e faz; quem aceita ser cúmplice precisa se calar diante da injustiça e fingir não ter enxergado o abuso. Isso é, além de agressivo e desonesto, estúpido.

Não seja cúmplice. Seja parceir@. Este, sim, te apoiará nos seus acertos, mas não esconderá de ti os seus erros e estará do seu lado para superá-los. Ser parceir@ é ajudar a outra parte a crescer (na direção que ela acredita ser a mais adequada); ser parceir@ é denunciar os erros da outra parte [para ela mesma], na tentativa de ajudá-la a enxergá-los – caso ela assim queira. Parceir@ não obriga nem exige; parceir@ sugere e aconselha sem invadir o espaço alheio.

Para fechar a fala: esse texto não deve ser considerado um desabafo. Pois não o é. Antes, pode ser visto como uma sugestão, ou, no mínimo, como uma demonstração de coisas que entendo por ser “leal a si mesmo e às outras partes”.

Precisamos de mais pessoas comprometidas com a verdade de uma parceria, e menos com os privilégios de uma cumplicidade. #VocêJáParouParaPensar nisso?

 

vjppp

Andreone T. Medrado
Devaneios Filosóficos

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NOTA: as imagens utilizadas para compor a capa desta publicação foram obtidas nos seguintes links: silêncio  e segurando uma muda.