No dia em que começarmos a perceber o quanto somos seres duplamente manipulados, talvez as sensações de opressão e cobrança pessoais sejam menores. Primeiramente, somos manipulades por um comportamento social que supervaloriza o poder – que enaltece, conscientemente ou não, quem não demonstra fraquezas e que não oscila em suas decisões. A segunda forma de manipulação se dá por não termos desejo ou vontade suficientes para abandonar ou questionar essa opressão: porque ela, direta ou indiretamente, nos confere algum tipo de privilégio. O privilégio ser sermos bem avaliades e mantermos um suposto lugar no meios social.

Esse privilégio é simultaneamente subjetivo e intersubjetivo; e o conquistamos ao não fracassar, ou ao não demonstrar qualquer tipo de desânimo externamente. E ele é o mesmo que nos introduz e que nos mantém em um grupo, que nos confere uma identidade sociocultural e nos faz ser vistos como alguém que “merece estar ali“. A questão é que, para que esse privilégio seja mantido, criamos uma carcaça fantasiosa de nós sobre nós e buscamos formas muitas vezes alienantes de nos convencer de que realmente atingimos o perfil daqueles indivíduos que não se fragilizam e não demonstram sob hipótese alguma seus pontos fracos. Realmente acreditamos que “errar”é “errado”.

Infelizmente – ou felizmente – não conseguimos ir longe por muito tempo. Em algum momento somos confrontados conosco mesmos em um embate inevitável sobre por que estamos resistindo em reconhecer nossas fraquezas e em vivê-las antes de simplesmente criar mais camadas de isolamento entre o que somos e o que gostaríamos de ser. Todes erramos, e não só podemos, como iremos “fracassar”; podemos chorar porque não estamos bem e, acima de tudo, podemos acreditar que nossos planos não precisam ser os mesmos do grupo em que estamos inseridos – inserção essa que, apesar de tudo, nem sempre é voluntária ou consciente.

Não se trata aqui de um texto motivacional. Não sei fazer isso e nem me esforço. Mas se trata de um convite para a autorreflexão. E cabe, portanto, algumas perguntas: Quanto do que eu e você externalizamos é de fato aquilo que gostaríamos de expôr? Quanto de nós é “nós” por nossa vontade e quanto de nós é isolado do meio externo porque decidimos garantir o privilégio de sermos inabaláveis e, assim, superpoderoses? Se, por um lado, uma imagem de alguém que busca sempre pela perfeição, pela métrica social e pelo bom desempenho constante é um “valor” que te destaca e que te faz alvo de admiração, por outro lado isso tem consequências que o restante social talvez não perceba. Mas que, sendo bem realista, ora ou outra nem você não conseguirá disfarçar de si mesme.

Por isso insisto: dê-se o direito de se “fraco” ou “fraca” quando quiser; aceite não ter de vencer sempre; assuma a sua qualidade de vida antes de supervalorizar o ranking de desempenho socialmente construído. Aceite apenas ser.

Enquanto a “cultura do superpoder” for enaltecida, sempre haverá alguém lutando pelo pódio, mesmo que para isso se viva constantemente no mais baixo estado de contentamento pessoal. Não é uma missão simples, mas: antes de ser, seja! Como dizia Píndaro: Sê o que és, sabendo!

Eu gravei um vídeo lá no Canal falando sobre isso – não deixe de conferir! Clique aqui para assisti-lo. Aproveite e se inscreva no canal, será uma prazer ter a sua visita e presença por lá! #VocêJáParouParaPensar?

 

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Andreone T. Medrado
Devaneios Filosóficos
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NOTAS:
a) na tentativa de usar uma linguagem menos sexista e mais inclusiva, pode acontecer de eu usar as letras “x” e/ou “e” para gênero neutro;
b) A imagem utilizada para compor a capa dessa publicação foi obtida aqui.

#VocêJáParouParaPensar